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GOVERNANÇA CORPORATIVA > Sustentabilidade

Sustentabilidade

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  • ALAVANCAR A SUSTENTABILIDADE NA CADEIA DE VALOR
  • PROMOVER O CONSUMO SUSTENTÁVEL
  • ENGAJAMENTO COM PÚBLICOS DE RELACIONAMENTO
  • VALORIZAÇÃO DO CAPITAL HUMANO
  • ADAPTAÇÃO A MUDANÇAS CLIMÁTICAS

ALAVANCAR A SUSTENTABILIDADE NA CADEIA DE VALOR

Política de compras

Programa de Monitoramento criado em 2011 busca assegurar práticas sustentáveis nos fornecedores.

A BRF compromete-se com a disseminação de práticas sustentáveis também em sua cadeia de fornecimento. Todos os fornecedores (suprimentos; grãos, farelos e óleos; bovinos; lácteos; agropecuária; logística) estão em conformidade com a Política de Compras da Empresa. Para a contratação de bens e serviços, são considerados os seguintes aspectos: viabilidade comercial, competitividade em custos, capacidade técnica, situação econômico-financeira e alinhamento a políticas e diretrizes sociais e ambientais.

A Companhia exige, assim, padrões mínimos ambientais e de direitos humanos de seus fornecedores. Há verificação constante de algumas informações públicas, como a Lista do Trabalho Escravo e a Lista de Áreas Embargadas do Ibama. Além desses padrões, há a obrigatoriedade de atendimento a outros critérios, dependendo da particularidade do setor. No caso de compra de grãos, não adquire insumos de fornecedores que promovam o desmatamento ilegal da Amazônia. Já as propriedades de produtores integrados passam por avaliação constante e, caso ocorra descumprimento de compromissos ambientais e sociais estabelecidos, é elaborado um plano de ação para reverter o quadro.

Para a compra de bovinos, acrescenta-se checagem do site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) e a apresentação de Guia de Transporte Animal e Certificado de Cadastro de Imóvel Rural emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Do total de abate de bovinos, 20% do volume provém de produção própria, em sistemas viabilizados por contratos de parceira ou prestação de serviço (engorda ou recria).

A BRF realiza verificações para garantir que esses critérios estão sendo cumpridos (autoavaliações; auditorias de documentações e de serviços nos locais de produção; visita de extensionistas às propriedades dos integrados). Em 2011, não foi registrada nenhuma ocorrência de não conformidade. O descumprimento dos termos acordados dá à Organização o direito de rescindir os contratos com os fornecedores.

Monitoramento

Para promover uma cadeia de suprimentos sustentável e competitiva, a Companhia busca a excelência operacional por meio de programas como Supply Chain de Classe Mundial, Monitoramento da Cadeia de Fornecedores, Gestão Integrada de Fornecedores (GIF) e Programa de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA).

O Supply Chain de Classe Mundial, programa que visa à excelência em gestão de custos e em serviços aos clientes, obteve importantes avanços em 2011. Entre eles, destacam-se a capacitação de 65 funcionários em melhores práticas de compras; a consolidação de processos internos de análise de categoria; e a maior preparação do corpo técnico para a execução de projetos de redução de custos. Adicionalmente, como parte do processo de Global Sourcing, houve a abertura de escritório de compras na China.

O Programa de Monitoramento da Cadeia de Fornecedores, criado em 2011, busca identificar os principais riscos sociais e ambientais na cadeia, reduzindo os impactos na sociedade e desenvolvendo novas oportunidades de atuação. Esse programa atua por meio de seis grupos de trabalho (Bovinos; Grãos/farelos/óleos; Logística; Agropecuária; Suprimentos; Lácteos), que objetivam disseminar a sustentabilidade e aprimorar o relacionamento da BRF com seus fornecedores.

Suprimentos - No ano, 140 fornecedores de suprimentos (compra de embalagens; investimentos e energia; insumos; parcerias, carnes e vendas; fretes e serviços logísticos) foram convidados a fazer uma autoavaliação sobre práticas de sustentabilidade e de gestão (direitos humanos, meio ambiente, qualidade dos produtos). Além disso, foram realizadas nove auditorias presenciais. Para 2012, o objetivo é consultar 14% dos fornecedores críticos por meio de questionário de autoavaliação e fazer auditoria presencial em 30 empresas.

Grãos, farelos e óleos - Foram também realizadas autoavaliações em fornecedores de farelo e soja do Estado do Mato Grosso, considerados críticos por atuarem próximos ao bioma amazônico. Em 2012, as avaliações serão estendidas para as demais regiões onde há compra de grãos.

Agropecuária - De importância fundamental para a Companhia, os produtores integrados atuam em um sistema de parceria com a BRF, garantindo assim que os padrões de qualidade e de sustentabilidade incluam a base da cadeia produtiva. Em 2011, foram desenvolvidas diversas atividades visando ao reforço da sustentabilidade nos integrados: 1) treinamento de todos os extensionistas sobre o Índice de Conformidade BRF; 2) capacitação dos integrados em relação à logística reversa dos resíduos de serviço de saúde; 3) curso sobre os impactos ambientais relacionados ao Sistema de Suinocultura Sustentável; 4) desenvolvimento de um sistema modelo de avaliação do nível de sustentabilidade econômica das propriedades rurais.

Bovinos - Na cadeia de bovinos, foram visitados os 300 maiores fornecedores, que responderam a questões de direitos humanos, meio ambiente, instalações rurais, armazenagem e descarte de insumos, manejo e bem-estar animal, rastreabilidade e manejos alimentar, sanitário e reprodutivo. A meta é que todos os fornecedores estejam auditados até o final de 2014.

Logística - Uma das principais iniciativas do programa foi o treinamento de 251 motoristas e ajudantes terceirizados no combate à exploração sexual de crianças e adolescentes nas rodovias. Em logística, foi lançado ainda o projeto Gestão Integrada de Fornecedores (GIF), que prevê premiação e ranking dos parceiros com base em critérios de qualidade, competitividade em custo, sustentabilidade do negócio e cuidado com as pessoas e ao meio ambiente, incluindo o modelo de gestão da frota e consumo de combustíveis.

Lácteos - A BRF tem três grandes programas direcionados a ampliar a competitividade na cadeia de lácteos. Baseados na forte relação com os produtores integrados de suínos e aves, eles buscam alavancar a produção de leite e as opções de renda no meio rural.

Lançado no último trimestre de 2011, o Programa de Pagamento por Qualidade (Pró-Quali) incentiva os produtores a melhorarem o produto in natura, com recompensa financeira à oferta de leite de qualidade superior (como teor de gordura e sólidos totais).

Na mesma linha, foi adotado o Boas Práticas na Fazenda, que visa fomentar a melhoria da qualidade da matéria-prima, com suporte aos produtores em melhoramento genético, sanidade animal e manejo de rebanho. Há ainda o Agrega Leite, que será colocado em prática em 2012, para ajudar os criadores de gado a produzirem melhor e a gerenciar custos de forma mais sustentável. Além disso, pretende estimular aqueles que ainda não estão na área leiteira a expandirem seus negócios.

Código de Conduta para Fornecedores - Um dos resultados do Programa de Monitoramento foi o redesenho do Código de Conduta para Fornecedores, no final de 2011. O maior objetivo é reafirmar o compromisso com a gestão responsável e a sustentabilidade, incluindo comportamento ético, temas socioambientais relevantes (como combate ao uso de mão de obra infantil ou escrava, liberdade sindical dos trabalhadores e correta gestão ambiental), assim como padrões mínimos a serem seguidos por fornecedores. A meta é que 40% dos fornecedores críticos de suprimentos estejam cientes das normas até o final de 2012.

Ciclo de vida do sistema

Para ampliar a avaliação dos impactos, a BRF iniciou em 2011 a Análise do Ciclo de Vida de produtos, desenvolvida em parceria com a Universidade de Santa Catarina. O projeto-piloto abrangeu o sistema produtivo de aves, em Concórdia (SC), e a produção de empanados (nuggets), em Chapecó (SC). São avaliadas as qualidades da alimentação, do transporte e de outras etapas que compõem a cadeia produtiva. No caso dos produtos empanados, a checagem inclui componentes como farinha e embalagem.

Em 2012, serão apresentados os primeiros resultados da ação na cadeia de frangos, e o estudo do ACV será expandido para a produção de suínos. Nessa etapa, serão identificados os pontos fortes e fracos dos processos, bem como os riscos e as oportunidades, reunindo conhecimento para amparar decisões que assegurem a qualidade dos produtos com menor impacto ambiental.

Fornecedores submetidos a avaliação de direitos humanos

Segmento Contratos com Cláusulas de Direitos Humanos Resposta a questionários de autoavaliação Auditoria/visita técnica nas dependências de fornecedores Fornecedores que assinaram o Código de Conduta
Agropecuária (produtores integrados - aves e suínos) 100% 100% 100% Não aplicável
Suprimentos (1) 147 6% 2% 19%
Grãos, farelos e óleos (2) 100% 22% 9% 70%
Produtores bovinos (2) Não aplicável (3) - 60% -

(1) Considera valor de compras
(2) Considera volume de compras
(3) Considera somente as compras pontuais (spot). Mesmo não tendo contrato, esses fornecedores passam por consultas em relação ao tema. Em caso de ocorrência, a compra é vetada

Gestão de resíduos sólidos

A BRF segue orientações da Política Nacional de Resíduos Sólidos e participa de iniciativas conjuntas do setor alimentício, como o compromisso setorial assumido pela União Brasileira de Avicultura (Ubabef) para adotar ações de incentivo à cadeia de reciclagem. Assim, está iniciando um trabalho de recuperação e reciclagem de embalagens de seus produtos. Destacam-se duas parcerias nessa direção: com a TetraPak, envolvendo embalagens de leite UHT, e com a TeraCycle, para embalagens de produtos congelados (papelão cartonado) e potes plásticos de margarina.

Em 2012, a Companhia pretende estender sua atuação na gestão dos resíduos sólidos com o apoio de uma série de medidas: estruturação de coleta seletiva na sede administrativa, início de projetos de logística reversa de alguns resíduos gerados na Empresa, substituição das sacolas plásticas das lojas corporativas por opções reutilizáveis, e acompanhamento do acordo setorial para atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Fornecedores locais

Não existe uma política quanto à preferência por fornecedores locais, instalados nos estados das unidades de produção, mas a Companhia possui em cada regional uma equipe de negociação responsável por atendimento local e compras regionalizadas.

Em 2011, 24% do milho e sorgo e 10% da soja consumidos pela Empresa foram comprados de produtores locais. Já 100% dos bovinos foram adquiridos no Estado do Mato Grosso, onde estão localizados os dois frigoríficos de boi da Companhia. Cerca de 70% das compras de leite provêm da Região Sul do País, devido principalmente à localização das unidades fabris e bacias leiteiras.

Considerando o sistema de integração agropecuária, 60% dos produtores também estão localizados na Região Sul (SC, RS, PR), reflexo da necessidade de manter a produção próxima do processamento dos alimentos.

Participação de fornecedores locais de suprimentos (% do valor gasto com fornecedores do estado)

Estado (1) 2010 2011
Mato Grosso 41,7 60,8
Minas Gerais 38,8 48,8
Santa Catarina 48,1 47,5
Rio Grande do Sul 50,8 46,6
Bahia - 42,3
Paraná 34,0 40,2
São Paulo 60,5 37,0
Distrito Federal - 33,7
Goiás 25,0 30,6
Rio de Janeiro 24,3 ND

(1) Selecionadas somente as unidades que representam 80% do volume total de produção. Por esse motivo, em 2010 não apareceram na lista as unidades da Bahia e do Distrito Federal e, em 2011, o Rio de Janeiro não foi contemplado.

Bem-estar animal

Os sistemas de criação da BRF adotam técnicas de produção e equipamentos adaptados aos conceitos de bem-estar animal, em uma política que respeita as cinco liberdades animais: livre de fome e sede; livre de desconforto; livre de dor, lesões e doenças; livre para expressar seu comportamento normal; e livre de medo e estresse.

Em 2011, foi criada a Diretoria de Inovação Agropecuária, responsável por desenvolver e gerenciar projetos direcionados ao conforto animal (como climatização de aviários e manejo de rebanho), à genética suína e à menor geração de dejetos.

Aves - Para aumentar o conforto térmico das aves, são utilizados aquecedores, ventiladores e nebulizadores. Há controles diários de temperatura e consumo de água. As unidades produtoras atendem aos critérios de densidade, eliminação, ambiência e transporte, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Aquelas que produzem para exportação obedecem também às diretrizes de bem-estar da União Europeia e as exigências de alguns clientes.

Suínos - Na suinocultura, as instalações são projetadas para manter o ambiente adequado para os animais. É adotada a técnica de imunocastração em 100% dos machos (por meio de vacina registrada e aprovada pelo Ministério da Agricultura e em mais de 60 países, principalmente na União Europeia). A prática de aparar os dentes (feita em leitões recém-nascidos visando diminuir as lesões em outros leitões ou ferimentos no aparelho mamário) está sendo gradativamente abolida, assim como a redução do uso de medicamentos injetáveis.

Bovinos - As fazendas e os confinamentos de gado atendem às normas de bem-estar animal, respeitando as boas práticas de produção, com instalações apropriadas, garantindo que o gado expresse seu comportamento natural (há treinamento específico sobre essas normas para os vaqueiros que tratam dos animais). Todas as propriedades para confinamento têm licença ambiental para funcionar e seus animais estão registrados no sistema Sisbov (possibilitando a rastreabilidade) e são auditadas a cada dois meses pelo órgão fiscalizador. No caso de bovinos leiteiros, a Companhia realiza a compra de leite spot, não existindo um sistema de integração/fidelidade com produtores.

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PROMOVER O CONSUMO SUSTENTÁVEL

Compromisso com a saudabilidade é expresso por produtos com teores reduzidos de sódio e gorduras e enriquecidos com nutrientes.

A BRF compreende sua responsabilidade e seu papel social em oferecer alimentos seguros e saudáveis para consumidores e clientes. São cerca de 3 mil itens, em um portfólio completo de produtos desenvolvidos para diferentes perfis de consumidores e alinhados ao compromisso com a saudabilidade.

Os impactos sobre a saúde e a segurança dos consumidores são avaliados em 100% dos produtos, desde a elaboração do conceito, prosseguindo pelas etapas de pesquisa e desenvolvimento do produto e das embalagens, fabricação, produção, armazenamento, distribuição e fornecimento.

Uma das metas é adequar, do ponto de vista nutricional, produtos considerados críticos em sódio, gorduras trans e saturada e açúcar, e atender às demandas de clientes do mercado interno, de food services e do mercado externo para a redução de teores desses ingredientes.

O decréscimo de sódio está sendo introduzido de forma alinhada às metas negociadas entre a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) e o Ministério da Saúde para algumas categorias de alimentos. Em 2011, foram implantados projetos de pesquisa iniciados no ano anterior para a redução de sódio em produtos da marca Perdigão - linha Turma da Mônica, incluindo empanados e salsichas. Para 2012, estão em desenvolvimento vários projetos com esse mesmo escopo em outras marcas, assim como estudos para a substituição de aditivos por ingredientes naturais.

Já a diminuição de gorduras trans é estudada desde 1999 e, em 2005, de forma pioneira no Brasil, foram lançadas as primeiras margarinas com zero trans. Esse trabalho estendeu-se e incluiu todos os itens da marca Qualy e aqueles dirigidos ao mercado externo. Também em 2005, a Companhia deu início à diminuição do uso dessa gordura em industrializados de carnes e massas e em 2011, essa redução foi introduzida em sobremesas congeladas.

Essa preocupação também se manifesta no desenvolvimento de produtos destinados à merenda escolar, específicos para atender às necessidades do público infantil. Em 2011, a Companhia adotou algumas premissas para esses produtos como: limite máximo de teor de sódio abaixo de 500 mg/100g, ausência de alergênicos, enriquecimento com vitaminas e/ou minerais e presença de fibras.

São ainda observados outros critérios de perfil nutricional estabelecidos em licitações como: teores mínimos de proteína e máximos de gordura e sódio, tipos de ingredientes, ausência de pimenta e corantes. A BRF atende ao Governo do Estado de São Paulo, em 2 mil escolas, e a mais de 100 prefeituras paulistas, e iniciou atuação no Estado do Paraná.

A Empresa também desenvolve produtos com maior teor de fibras e enriquecidos com vitaminas e minerais, tanto nas linhas de varejo como de food services. Farinha integral, farelo de trigo e grãos integrais são utilizados no enriquecimento com fibras em produtos de panificação e massas. Na adição de vitaminas e minerais de produtos em geral, são empregados ingredientes purificados, adquiridos de fornecedores certificados. A dosagem mínima incorporada aos produtos respeita os limites estabelecidos pela legislação vigente e considera as condições de processo e estocagem de produtos, de forma a garantir o teor declarado no rótulo dos produtos.

A área de lácteos adotou como premissas o redesenho de portfólio, contemplando teores de açúcar, sódio, gordura e ingredientes sintéticos (como aromatizantes e corantes), e o desenvolvimento de produtos com ingredientes naturais, de forma a atender a necessidades nutricionais mais atuais dos consumidores. Seus rótulos trazem informações claras sobre composição do produto e comparativos com outros itens, para ajudar o consumidor a decidir qual linha representa melhor o seu estilo de vida. Um avanço nesse sentido se deu com o reforço, em 2011, da divulgação da linha Batavo Naturis Soja - 100% vegetal e sem lactose, colesterol, gordura trans e sódio.

Produtos e serviços

Os consumidores têm participação especial no processo de desenvolvimento de produtos, contribuindo nos testes promovidos pela área de Análise Sensorial e Instrumental (ASI), criada em 1996 com o objetivo de entender e traduzir os desejos dos consumidores. Atualmente, conta com cerca de 10 mil pessoas cadastradas. A área de P&D também avalia formas de diminuir os impactos sobre o meio ambiente, com foco em redução de embalagens e de itens de consumo na produção. Entre os principais projetos de 2011, destacam-se redução de área e aumento e padronização na estrutura de caixas de papelão, o que possibilitou diminuir em cerca de 4% o consumo de papelão ondulado, o equivalente a aproximadamente 500 toneladas no ano.

O monitoramento em todas as unidades e de 100% do volume de produção é amparado por análises laboratoriais e planilhas de controle periódicas, sendo o processo realizado de acordo com as normas do Ministério da Agricultura ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em conformidade com normas de segurança alimentar internacionalmente reconhecidas.

Rotulagem

Os rótulos de 100% dos produtos da BRF trazem informações padronizadas sobre conteúdo, serviços e embalagens. Incluem informações sobre ingredientes utilizados na composição do alimento, tabela nutricional, condições de conservação, data de fabricação, prazo de validade e modo de preparo/ consumo, em conformidade com a legislação dos países em que são comercializados.

No caso de produtos com apelos nutricionais (como linhas Batavo Pense Light, Naturis Soja e frios Sadia Light), os rótulos fazem referência a esses atributos. Além de menção expressa à presença ou não de glúten como ingrediente, seguindo a exigência legal brasileira, há também alertas sobre outros alergênicos, a exemplo de pimenta, gergelim, soja, amendoim, leite e derivados. Para lácteos, com o objetivo de promover a melhoria contínua, há projetos, em 2012, para classificação nutricional de todos os produtos de acordo com tendências mundiais e comparativamente à concorrência.

Satisfação dos consumidores

Pesquisas realizadas ao longo do ano apontaram um nível de satisfação de 99,79% entre os 24.720 consumidores das marcas Perdigão, Batavo, Sadia e Elegê consultados por telefone. No ano, foram recebidas 309.996 manifestações de consumidores. Como resultado dessa participação, destacou-se a sugestão de novos produtos, que foram estudados e lançados ao mercado. As reclamações de produtos e críticas representaram apenas 6% do total.

Importante componente da carteira de clientes, os empresários do mercado de alimentação fora de casa também receberam atenção especial. Para entender melhor suas necessidades, foram realizadas pesquisas que motivarão lançamentos específicos para esse público em 2012.

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ENGAJAMENTO COM PÚBLICOS DE RELACIONAMENTO

A Companhia tem aprofundado o relacionamento com públicos-chave para identificar temas relevantes e aperfeiçoar a gestão da sustentabilidade.

A BRF vem aprimorando o processo de engajamento com seus públicos-chave, ampliando a qualidade e quantidade de consultas para antever a relevância (materialidade) dos aspectos de sustentabilidade na visão de seus públicos e aperfeiçoar sua gestão. Em 2011, aprofundou o debate em torno dos seis pilares de sustentabilidade estabelecidos para seu negócio, envolvendo funcionários, principais lideranças, fornecedores, clientes, consumidores, comunidade do entorno das fábricas, representantes de governo e de organizações da sociedade civil.

Foram realizados três painéis presenciais para aprofundar e validar os assuntos considerados relevantes para cada pilar de sustentabilidade, com participação média de 20 pessoas. Em São Paulo, um dos encontros foi focado na participação do público interno, reunindo gestores, e o outro realizado com representantes de todos os grupos considerados essenciais no engajamento da Empresa. O processo de consulta foi ampliado, em relação ao de 2010, com a realização de um painel multistakeholder em Chapecó (SC).

Durante as atividades dos painéis, os participantes apresentaram suas percepções sobre a evolução da Companhia no trato do tema sustentabilidade aplicado ao negócio e à qualidade de relato. Também sinalizaram os desafios atuais e futuros relacionados aos pilares de atuação, assim como as oportunidades de melhoria no modo de informar sobre esses aspectos. Foram consultados ainda dez líderes da Empresa, com a finalidade de identificar os temas mais relevantes para dar destaque no Relatório Anual e de Sustentabilidade 2011.

Ao longo do ano, ocorreram workshops com negociadores e gestores abordando a corresponsabilidade da BRF em relação às práticas de sua cadeia de fornecedores. O objetivo foi ainda fornecer subsídios para aprimorar o monitoramento e engajamento com fornecedores. Participaram representantes das seis frentes de trabalho (Bovinos; Grãos, farelos e óleos; Logística; Agropecuária; Suprimentos; Lácteos) e profissionais das áreas de Qualidade e de Sustentabilidade. Outra iniciativa foi a realização do encontro Dia de Campo com produtores de bovinos para alinhar os critérios de sustentabilidade exigidos pela BRF de seus fornecedores.

Investimento social

O investimento social da BRF é historicamente destinado às localidades que contribuem para torná-la uma das maiores companhias de alimentos do mundo.

Com base em sua visão de colaborar para um mundo melhor e mais sustentável, a BRF definiu como estratégia estabelecer um ambiente de diálogo e atuação conjunta com as comunidades visando ao desenvolvimento local. O investimento social da Companhia é cogerido pela equipe do Instituto BRF, resultante da unificação do Instituto Sadia com o Instituto Perdigão, e pelos Comitês Locais de Investimento Social e Relacionamento com Comunidade (CISRC), integrados por funcionários da Empresa. Em 2011, 290 funcionários envolveram-se em 27 comitês.

Premissas adotadas na promoção do desenvolvimento local via investimento social: Ampliar a visão sobre o que é desenvolvimento em cada um dos contextos a partir dos ativos e das necessidades locais;

Fortalecer redes interssetoriais em prol do desenvolvimento local;

Contribuir para o fortalecimento da sociedade civil organizada local e para políticas públicas de qualidade e para todos;

Incentivar os funcionários a doarem seu tempo e seu conhecimento para a promoção do desenvolvimento.

Fortalecimento de redes

O Programa Comunidade Ativa parte do pressuposto de que é necessária uma atuação interssetorial e sistemática para amadurecer o que é desenvolvimento em cada um dos municípios, bem como para encontrar soluções viáveis e transformadoras para os desafios socioambientais existentes. Além disso, a BRF acredita ser necessário que a comunidade desempenhe um papel protagonista no processo para atingir uma efetiva transformação social.

A iniciativa atua na facilitação e no fortalecimento de Conselhos de Desenvolvimento Comunitário (CDCs), que são compostos por funcionários da BRF e representantes de organizações que representam ou prestam serviço para a população dos bairros onde as unidades BRF estão inseridas. São organizações da sociedade civil organizada, associações de moradores e ONGs, além de escolas, poder público municipal, universidades, organizações do sistema “S” (ex: Sesi, Senai, Senac), etc. Esse programa é elaborado em parceria com o Instituto Paulo Montenegro (Ibope) e desenvolvido em três etapas: identificação, pelo CDC, de temas prioritários para esses bairros, bem como de necessidades e potencialidades; consulta participativa à população; e elaboração e execução de um planejamento conjunto, com envolvimento de novos parceiros, se necessário.

O programa contou com uma etapa-piloto iniciada em 2010 em Chapecó (SC) e Concórdia (SC). Os resultados alcançados levaram a Companhia, por meio de seu Instituto e dos CIRCs, a dar continuidade e fortalecer o trabalho nesses dois municípios, bem como disseminar o programa para Toledo (PR), Dois Vizinhos (PR), Francisco Beltrão (PR), Uberlândia (MG) e Lucas do Rio Verde (MT). Os projetos gerados e executados até final de 2011 pelos CDCs beneficiaram cerca de 8 mil pessoas.

Terceiro setor

Em 2011, com investimento pontual, foram apoiados quatro projetos sociais nos municípios de Concórdia (SC), Francisco Beltrão (PR) e Jacarepaguá (RJ), beneficiando cerca de 8 mil pessoas. As ações promoveram melhorias no acesso à informação de crianças e adolescentes sobre temas relevantes para sua saúde e bem-estar, assim como conscientização e preservação ambiental, e impulsionaram o desenvolvimento dos jovens por meio do esporte.

Em 2012, será criado um programa específico de fortalecimento da sociedade civil organizada (terceiro setor) nos municípios nos quais a Companhia está presente.

Voluntários BRF

Lançado no segundo semestre de 2011, o Voluntários BRF tem o objetivo de viabilizar a participação voluntária dos funcionários em ações que visem à transformação positiva das comunidades onde estão inseridos, de forma alinhada aos valores da Companhia e à sua diretriz de investimento social. Em cerca de quatro meses foram realizadas mais de 80 ações, com a participação de 700 voluntários e 81 parceiros locais, com 225 horas de atividades, beneficiando 27 mil pessoas.

Dentre as ações realizadas, as de infraestrutura possibilitaram recuperar instalações de sete organizações sociais que prestam atendimento aos habitantes de Bom Conselho (PE), Capinzal (SC), Herval D’Oeste (SC), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO), Salto Veloso (SC) e Uberlândia (MG) e revitalizaram cinco espaços públicos (como parques e praças) nos municípios de Francisco Beltrão (PR), Mineiros (GO), Uberlândia (MG), Lajeado (RS) e Videira (SC), o que teve impacto diretamente na qualidade de vida dessas populações.

Esporte

Dois pilares direcionam os investimentos da marca Sadia em esporte: alto rendimento e participação. Com o primeiro, que contempla patrocínios a confederações, atletas e outros eventos de alto rendimento, a Companhia pretende manter a sua relação marcante com o esporte, ajudando no desenvolvimento de diferentes modalidades no País. O segundo foco, em participação, reflete a crença de que o alimento e a vida têm de ser gostosos. Portanto, incentiva a prática esportiva por meio de eventos de participação e orientações a novas atitudes. Na visão da Empresa, o esporte é a maneira mais divertida de levar uma vida saudável e equilibrada.

A Plataforma Sadia conta com os seguintes programas: patrocínio à Confederação Brasileira de Judô; apoio à Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos; projeto de base e alto rendimento de ginástica rítmica em Toledo (PR); e Família Sadia (grupo de atletas patrocinados). Os principais objetivos são o engajamento do público com as modalidades e o incentivo a hábitos de vida mais saudáveis e equilibrados para praticantes e a população de maneira geral, considerando também a proximidade das Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Brasil.

Voluntários BRF de Serafina Corrêa - RS.

Divulgação CBJ

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VALORIZAÇÃO DO CAPITAL HUMANO

Desenvolvimento da nova Cultura BRF foi tema central no processo de consolidação de valores, princípios e crenças.

O ano de 2011 foi marcado pelo desenvolvimento e alinhamento da nova Cultura BRF. Com a aprovação da união entre Perdigão e Sadia, uma das prioridades em gestão de pessoas foi unificar as melhores práticas das duas empresas para consolidar valores, princípios e crenças que orientam a nova Organização.

Uma primeira etapa do Projeto Cultura ocorreu no Encontro de Líderes, em setembro de 2011, quando 600 executivos de todas as localidades foram estimulados a refletir sobre o tema. Participaram todos os gerentes, os diretores, os vice-presidentes e o presidente, dando início a um processo que procura tornar a Companhia referência em gestão de pessoas.

A expansão internacional e o planejamento estratégico BRF 15 representam desafios adicionais na construção da nova cultura. Além de preparar o público interno brasileiro para essa mudança, a Empresa terá de entender os costumes externos e integrar funcionários de diferentes origens. Mesmo antes da aprovação da fusão, foi desenvolvido um robusto plano de comunicação para manter os funcionários a par dos desdobramentos desse processo, de maneira rápida e transparente, durante e após a aprovação pelo Cade.

Emprego

Atuavam na BRF, no final de 2011, 132.696 trabalhadores, dos quais 118.859 funcionários por tempo indeterminado, 1.237 por tempo determinado, 12.301 contratados de terceiros e 299 estagiários.

Durante 2011, a Companhia procurou manter sua equipe motivada. Com esse foco, atuou para melhorar pontos de atenção identificados, como atração e retenção de pessoas. Dirigido a funcionários de unidades produtivas, padronizou cargos, de acordo com referências de mercado, tornou as faixas salariais mais atrativas e adequadas à realidade local e introduziu um plano de assiduidade para reduzir o absenteísmo. Os reflexos da iniciativa se traduzem na queda da taxa consolidada de turnover (média mensal), que passou de 2,33%, em 2010, para 2,07%, e na redução da taxa de absenteísmo de 3,38% para 3,25%, fatores que permitiram um melhor atendimento aos planos de produção.

É estimulado o desenvolvimento profissional de mulheres, sendo registrado aumento do contingente feminino em cargos de liderança: de 15% para 19%, entre 2010 e 2011.

A Empresa também trabalha para avançar em relação à contratação e retenção de pessoas com deficiência. No ano, firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho para atendimento da cota legal em um prazo de cinco anos, prorrogável por mais cinco anos, desde que atingidos 50% da parcela exigida.

Composição do quadro de pessoal(1)

Categorias Total Feminino Masculino Até 30 anos De 30 a 50 anos Mais de 50 anos
Diretores 56 8 48 0 41 15
Gerentes 516 104 412 11 449 56
Supervisores/Coordenadores 2.274 421 1.853 262 1.864 148
Administrativos(2) 20.483 7.571 12.912 7.964 11.740 779
Operacionais 93.880 37.939 55.941 41.727 46.778 5.375
Total 117.209 46.043 71.166 49.964 60.872 6.373
% 100% 39% 61% 43% 52% 5%

(1) Dados somente de funcionários atuantes no Brasil, com exceção do número de diretores que inclui também os que atuam no exterior
(2) Inclui dados de assessores (relatado em separado no Relatório Anual 2010)

Total de trabalhadores(1)

Tipo de contrato 2009 2010 2011
Tempo indeterminado 113.912 113.614 118.859
Tempo determinado 447 647 1.237
Terceirizados (2) 15.147 13.267 12.301
Estagiários 298 454 299
Total 129.804 127.982 132.696

(1) Considera funcionários no Brasil, da Plusfood/Dánica/Avex e expatriados BRF-Sadia
(2) A BRF pretende aprimorar sua gestão de terceiros em 2012 por meio de uma ferramenta que garanta informações padronizadas e integradas.

Rotatividade (média mensal)(1)

2010 2011
Número de desligados 33.996 31.035
Rotatividade 2,33% 2,07%

(1) Dados somente da operação no Brasil

Saúde e segurança no trabalho

O programa de Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) obteve avanços significativos em 2011. O objetivo central é educar e garantir o comprometimento dos funcionários com a redução de acidentes ou doenças de trabalho. Iniciado em 2006, o programa é estratégico e representa um processo fundamental para a Companhia firmar-se em um novo patamar em sua cultura de prevenção de acidentes. Como resultado desse trabalho, em 2011 houve redução média de 38,9% na Taxa de Frequência de Acidentes com afastamento, incluindo acidentes de trajeto: 3,06 em comparação a 5,01, em 2010. A meta é alcançar uma redução anual de 10%.

São ainda mantidos vários programas para assegurar melhores condições de saúde e segurança, a exemplo de prevenção e educação sobre dependência química, reabilitação profissional, ergonomia participativa e diálogos de saúde e segurança, além de requisitos legais, como controle médico e saúde ocupacional.

Indicadores 2010 2011
Taxa de Frequência de Acidentes - com afastamento (1) 5,01 3,06
Taxa de Frequência - doenças ocupacionais (1) 0,96 0,20
Taxa de Gravidade (1) 473 216
Percentual de absenteísmo (2) 3,38% 3,25%
Óbitos (número absoluto) 4 5 (3)
Acidentes com afastamento 1.078 690
Acidentes sem afastamento 2.693 2.266

(1) As taxas de frequência e gravidade referem-se a cada 1 milhão de horas/homem trabalhadas, de acordo com a NBR 14.280.
(2) A taxa de absenteísmo refere-se às ausências dos trabalhadores no processo do trabalho (por falta ou atraso, devido a algum motivo interveniente).
(3) Dois acidentes típicos e três acidentes de trajeto

Treinamento e educação

O Plano Anual de Treinamento engloba ações para níveis não gerenciais e executivos. O primeiro tem foco educacional, tanto de aprimoramento técnico como comportamental. Já o segundo envolve a preparação para práticas e conceitos inovadores em gestão, investindo na construção do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), de Planos de Desenvolvimento Coletivo (PDC) e do Programa de Desenvolvimento de Líderes (PDL). Para a liderança intermediária há o Programa Nosso Jeito de Liderar (NJL). Para estudantes e recém-formados, são mantidos programas de estágio e trainees.

Como parte de seu programa de desenvolvimento de carreira, a Companhia promove periodicamente avaliações e análises de desempenho e de desenvolvimento de seus executivos. Dessa forma, é possível atribuir método e transparência ao processo de sucessão. As análises são realizadas com base em ferramentas e dados estruturados que permitem visualizar a curva de carreira e identificar potencialidades. Em 2011, 2.878 líderes passaram por esse processo, representando 2,46% do total de funcionários.

Direitos humanos

O tema direitos humanos, relacionado a comportamento ético, é abordado durante cerca de 20 minutos no Programa de integração Institucional destinado a todos os contratados. Em 2011, significou a participação de 26.679 pessoas e carga horária de 9.893 horas. Além disso, 862 pessoas participaram de treinamento de liderança com foco em direitos humanos realizado em 23 unidades e que totalizou 3.348 horas de curso. Foram abordados temas como aplicação de medidas disciplinares; legislação trabalhista; responsabilidade civil, criminal e trabalhista dos gestores; assédio moral e assédio sexual. No setor de agropecuária, foi realizado um treinamento de oito horas, em Várzea Grande (MT), para todos os negociadores de bovinos.

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ADAPTAÇÃO A MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Riscos e oportunidades

Nova Política de Meio Ambiente inclui a Gestão de Mudanças Climáticas como tema prioritário da Companhia

Atenta a questões ambientais, a BRF mantém diversas iniciativas para utilizar de forma eficiente os recursos naturais e mitigar o impacto de suas operações sobre o meio ambiente. Desde 1996, possui metas de racionalização do consumo de energia e de redução de uso e reaproveitamento de água, avançando ano a ano na melhoria desses indicadores. Em 2011, desenvolveu uma nova Política de Meio Ambiente, com o aperfeiçoamento de diretrizes que eram aplicadas por Perdigão e Sadia e a identificação dos temas ambientais mais aderentes ao negócio e a seus principais públicos.

A prioridade foi dar início a um plano para estruturar a Gestão das Mudanças Climáticas, tema considerado prioritário no gerenciamento de riscos da Companhia. O monitoramento padronizado de índices de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e de tratamento e destinação correta dos resíduos integra metas de desempenho que serão estabelecidas a partir de 2012, visando à melhoria contínua da qualidade ambiental e à minimização dos impactos ambientais associados.

Para visualizar a Política de Meio Amebiente em formato pdf, clique aqui.

Riscos e oportunidades devido a mudanças climáticas

Riscos Impactos na operação BRF Oportunidades
Alterações nas safras de grãos (milho e soja) Quebras de safra, resultantes tanto de
estiagens quanto de excesso de
chuvas, podem impactar os custos.

Mecanismos de prevenção:
Compras em épocas vantajosas;
Hedge por meio de derivativos agrícolas;

Manutenção de estoques estratégicos.
Alterações nas criações de bovinos e na compra de leite Mudanças climáticas, como o La Niña,
podem danificar as pastagens, resultando
em necessidade de aumento do confinamento
e/ou a suplementação do gado, o que
aumenta os custos do produtor rural.
Verticalizar paulatinamente a cadeia, por meio de
projetos de produção integrada de bovinos.
Alterações na disponibilidade de água As estiagens cada vez mais frequentes,
podem aumentar custos da Empresa e
dificultar o acesso ao recurso, tendo um
grande impacto na operação.

Redução do uso de água nas operações;
Diversificar o parque fabril, construindo novas
unidades nas Regiões Sudeste e Centro-Oeste do País;
Internacionalização das operações.

O dia a dia dos negócios da BRF é impactado pelas mudanças climáticas. A aceleração de eventos como falta ou excesso de chuva, ocorrência de temperaturas anormais, granizo, etc. interfere na oferta de grãos e nas condições das pastagens para a alimentação de aves, suínos e bovinos. Isso determina a necessidade de manter equipes dedicadas a monitorar cotações de grãos e condições climáticas nas principais regiões produtoras do mundo.

Inventário de emissões

O ponto de partida na Gestão em Mudanças Climáticas foi a elaboração do primeiro inventário de gases de efeito estufa (GEE) consolidado (dados Perdigão e Sadia), ano-base 2010, abrangendo os escopos 1 e 2. As emissões do escopo 1 também contemplam os gases refrigerantes HFCs, os quais representaram 13.035 toneladas de CO2eq, sendo que o total de emissões do escopo 1 foi de 300.668 toneladas de CO2eq. O dado não contempla a quantificação dos gases CFCs, que não é obrigatória na metodologia do GHG Brasileiro. O escopo 2 abrange emissões provenientes de energia elétrica, totalizando 112.760 toneladas de CO2 eq.

Os dados são relativos ao ano de 2010 e foram verificados por terceira parte (pela empresa Way Carbon). Por essa iniciativa, a BRF recebeu o Selo Ouro do Programa Brasileiro de Gases de Efeito Estufa (GHG Protocol Brasil). Pelo segundo ano consecutivo, a Companhia está na carteira do Índice de Carbono Eficiente (ICO2), iniciativa conjunta da BM&FBovespa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As principais iniciativas de redução das emissões dos escopos 1 e 2 contemplam:

Projetos e ações operacionais para decréscimo do consumo de energia elétrica;

Aquisição de caldeiras para geração de vapor movidas à biomassa nas unidades de Ijuí e Teutônia (RS) e Ravena (MG), para substituição de combustíveis fósseis (três caldeiras a óleo e uma a gás natural).

Melhorias nas estações de tratamento de efluentes e resíduos;

Melhoria no manejo dos dejetos de animais.

Para a frota logística, que em sua totalidade é terceirizada, as ações tiveram como objetivo a redução dos quilômetros rodados e, como consequência, menores emissões para o escopo 3. Elas incluíram integração das operações no Centro de Distribuição de Recife (PE) e de 13 pontos de transbordo, reduzindo a quantidade de veículos necessários para realização das entregas.

Sistema Suinocultura Sustentável (3S)

O 3S (Sistema de Suinocultura Sustentável) consiste no apoio a produtores integrados para a construção de biodigestores e sistemas de queima dos gases gerados a partir do tratamento dos dejetos dos animais. Desenvolvido em 22% da cadeia de fornecimento de suínos, o programa é estruturado na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Foi reformulado em 2011 visando ao aumento da eficiência e excelência na gestão.

A iniciativa integra a meta de reduzir as emissões de carbono em toda a cadeia de produção. Considerando os projetos já implantados, o potencial de redução é de 591.418 toneladas anuais de CO2eq, de acordo com a metodologia da ONU. Em 2011, a redução chegou a 163.669,30 toneladas de CO2eq. O primeiro processo de verificação das emissões ocorreu em 2011 e está em etapa de validação dos créditos de carbono. Após a finalização da verificação, será solicitada a emissão de Redução Certificada de Emissões (RCE), pela UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change). Será o primeiro projeto do mundo a solicitar os créditos para a UNFCCC na metodologia de PoA.

Iniciativa Carbono Zero

A unidade de Vitória de Santo Antão (PE), inaugurada em 2009, é a primeira fábrica de carnes do Brasil que irá neutralizar 100% das emissões de carbono referentes ao período de construção e durante dez anos de atividade, a partir do início das operações.

A compensação se dará por meio de reflorestamento de mudas nativas de Mata Atlântica, em uma área de 265 hectares, para neutralizar uma estimativa de 137.620 toneladas de CO2eq. O plantio foi iniciado em 2011, atingindo 10,23 hectares de terras próprias da unidade, prevendo-se concluí-lo em 2015. A iniciativa contemplará também a educação ambiental das comunidades do entorno, por meio de palestras, cursos e oficinas.

Emissões de gases de efeito estufa

Emissões (toneladas de CO2equivalentes) 2009 (1) 2010 (2)
Escopo 1 (diretas) 410.507 300.668
Escopo 2 (indiretas) 53.858 112.760

(1) Emissões estimadas pelo ICO2 da BM&FBovespa/BNDES
(2) Dados das emissões de 2010 foram recalculados, com o aperfeiçoamento de ferramenta

Consumo de recursos

Materiais

Em 2011, foram utilizados 10,5 milhões de toneladas de grãos e derivados, 100% recebidos a granel. Como todos os produtos comprados sofrem transformação (farelos e milho em proteína animal; óleos em proteína animal e margarina; e soja em grãos em farelo e óleo de soja) não há cálculo de material direto no produto final.

Pela natureza dos produtos e por questões de segurança alimentar, não há uso de matéria-prima reciclada no processo produtivo. Essa alternativa só é possível em embalagens secundárias, que não entram em contato com os alimentos. Considerando-se apenas as caixas de papelão, que somaram 164.514.18 toneladas em 2011, cerca de 40% foram provenientes de material reciclado, o equivalente a 67.813 toneladas.

Energia

O uso eficiente da energia é um compromisso assumido na Política de Meio Ambiente (reformulada em 2011), por ser considerado estratégico para combater as mudanças climáticas, reduzir custos e minimizar impactos ambientais. Conectado a outras iniciativas para amparar a busca de melhoria contínua nos processos, foi criado em 2011 o Programa de Excelência Energética - baseado em melhores práticas de Sadia e Perdigão, que já trabalhavam com o tema desde os anos 1990.

Em 2011, foi registrada redução de 1,9% no consumo de energia direta em comparação ao ano anterior, um indicador de eficiência de processos, uma vez que a produção cresceu 4,1% no ano. O consumo de 19.736.482,61 GJ significou economia de 374.913,77 GJ em relação a 2010. São considerados dados de 100% das unidades fabris (frigoríficos, fábricas de industrializados de carnes e lácteos, fábricas de rações e postos de recebimento de leite), que têm o consumo monitorado para identificar oportunidades de melhoria no uso do insumo.

Do total consumido no ano, 95,78% tiveram origem em fontes renováveis, atingindo a meta de 95% estabelecida para 2011. A melhoria de resultado decorre principalmente dos investimentos para migrar os equipamentos que consumiam energia de fonte não renovável para a matriz mais limpa, o que reduz também as emissões de gases de efeito estuda.

Além disso, a Companhia mantém o Programa de Florestas Renováveis destinado a ampliar a autossuficiência em florestas utilizadas para a geração de energia direta. Em 2011, houve elevação de 25% na produtividade das florestas plantadas, com colheita prevista a partir de 2016.

O consumo total de energia indireta teve aumento de 4,4% comparativamente a 2010, devido principalmente ao maior número de unidades monitoradas (100% das operações fabris).

A meta da Companhia, para 2011, era usar 2% mais energia renovável do que a média nacional. Mesmo com a execução de projetos de mudança da matriz energética de algumas unidades, o resultado final, de 1,11%, ficou abaixo da meta, principalmente por causa de mudanças no Sistema Interligado Nacional. Para 2012, será mantida a meta de superar a proporção da média nacional. Será formada, entretanto, uma nova base de cálculo para esse indicador, uma vez que o parque industrial será modificado como efeito do termo de compromisso assinado com o Cade.

Economia - A economia obtida em 2011 foi de 242.116 GJ, 70,9% superior ao resultado registrado em 2010 e alinhada à meta de economizar 250 mil GJ mais do que no ano anterior. Dessa forma, considerando o ano-base de 2009, houve economia de 583.612 GJ, o equivalente à energia necessária para abastecer uma cidade de 1,25 milhão de habitantes durante um mês. Essa economia foi possível devido à melhoria operacional decorrente da maior conscientização dos envolvidos sobre o uso eficiente de energia em seu local de trabalho e dos investimentos em melhorias tecnológicas de equipamentos e sistemas, principalmente em refrigeração. A meta para 2012 é economizar 50 mil GJ em comparação a 2011. A base do indicador ainda será formada, levando em conta a nova configuração industrial após a transferência de ativos determinada pelo Cade na aprovação da fusão entre Perdigão e Sadia.

Consumo de energia direta (GJ)

2009 2010 2011 Variação (%)
Fontes renováveis
Álcool de cana 1.358,93 735,24 2,39 -99,7%
Bagaço de cana - - 1.566,73
Briquete casca de arroz - 9.635,33 -
Briquete madeira - - 94.807,97
Cavaco 5.374.267,59 11.441.207,14 7.351.144,37 -35,7%
Lenha 9.952.549,27 4.978.860,14 10.880.429,93 118,5%
Óleo vegetal ou animal 260.727,81 404.915,22 32.092,96 -92,1%
Ripa 460.016,81 - 518.749,26
Serragem 2.202.912,66 2.247.976,38 25.339,35 -98,9%
Subtotal 18.251.833,07 19.083.329,47 18.904.132,96 -0,9%
Fontes não renováveis
BPF 476.228,56 478.347,06 395.329,99 -17,4%
Diesel 110.671,97 77.472,64 79.355,45 2,4%
Gás natural 147.244,79 101.287,13 120.303,41 18,8%
Gasolina 1.943,96 2.571,67 232,66 -91,0%
GLP 271.794,62 266.035,74 198.940,44 -25,2%
Querosene 212,97 334,28 66,63 -80,1%
Xisto 117.002,54 102.018,39 38.121,07 -62,6%
Subtotal 1.125.099,42 1.028.066,91 832.349,65 -19,0%
Total 19.376.932,48 20.111.396,38 19.736.482,61 -1,9%
Percentual de renováveis 94,19% 94,89% 95,78%

Água

Insumo estratégico na produção de alimentos, o consumo de água é acompanhado para identificar melhorias de eficiência. No ano, o sistema de monitoramento foi estendido para 100% das operações de lácteos. Dessa forma, foi identificado acréscimo de 1,8% no consumo, que totalizou 62,3 milhões de metros cúbicos, volume também impactado pelo aumento de 4,1% na produção. A maior fonte de retirada é de águas superficiais, seguidas de poços artesianos, ambas enquadradas nos requisitos legais, sejam outorgas de uso de água ou licenças de operações dessas atividades. O abastecimento público corresponde a apenas 3,1% da retirada de água.

Todas as unidades fabris mantêm Estações de Tratamento de Efluentes (ETE), para que a água possa ser devolvida ao meio ambiente sem alterar a classe do corpo receptor. O monitoramento de desempenho das ETEs e a avaliação do atendimento aos padrões legais foram padronizados por meio do Projeto Gestão. Com essa medida, a BRF assume o compromisso de divulgar em 2012 a qualidade do efluente final.

Resíduos

Mais de 80% do volume de resíduos é proveniente das estações de tratamento de efluentes (ETEs) e dos incubatórios (casca de ovos). O restante inclui restos de madeira (principalmente paletes), cinzas de caldeira, sucatas de metais, cascas e varrições de cereais, e sucatas de materiais plásticos.

Aspectos logísticos são potenciais causadores de impactos ambientais em caso de acidentes em estradas, a exemplo de contaminação do solo ou água por derramamento de combustíveis ou cargas, como óleo vegetal e grãos. Para tratar esses impactos, a BRF está aprimorando um fluxo interno de procedimentos. Ele compreende desde a orientação ao transportador para que informe sobre a ocorrência até o destino ambientalmente correto do material derramado e a elaboração de um relatório do sinistro. Em 2011, foram registrados oito derramamentos envolvendo os seguintes materiais: gordura animal, leite in natura, óleo de soja, ovos e óleo diesel do tanque de veículo transportador. Em todas as situações, foi possível mobilizar rapidamente as equipes e tomar as corretas ações para reparar, quando necessário, eventuais danos ambientais, assim como o devido procedimento nos órgãos ambientais competentes.

Consumo de energia indireta (GJ)

2009 2010 2011 Variação (%)
Fontes renováveis
Hidrelétrica 6.182.550,41 6.287.132,78 6.839.404,02 8,8%
Biomassa 331.941,30 107.271,12 105.507,45 -1,6%
Eólica - 21.623,09 25.140,89 16,3%
Fotovoltaica 2,08 1,97 7,78 394,7%
Subtotal 6.514.493,79 6.416.028,96 6.970.060,14 8,6%
Fontes não renováveis
Gás 262.467,94 374.717,01 163.415,78
Petróleo 119.654,50 137.861,90 -
Nuclear 108.075,03 213.204,85 201.127,11 -5,7%
Carvão mineral 62.620,69 - 119.419,22
Subtotal 552.818,16 725.783,76 483.962,11 -33,3%
Total 7.067.311,95 7.141.812,72 7.454.022,25 4,4%
Percentual de renováveis BRF 92,18% 89,84% 93,51%
Sistema Interligado Nacional (1) 85,70% 89,60% 92,40%

(1)Fonte: Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico Brasileiro referem-se a dados consolidados até o dia 30 de novembro de 2011

Consumo de água (m3/ano)

2009 2010 2011 Variação (%)
Total 61.226.432 61.202.360 62.299.437 1,8%
Superficial 41.693.856 41.139.557 42.251.876 2,7%
Subterrânea 17.350.531 17.486.230 18.143.816 3,8%
Abastecimento público 2.136.939 1.554.365 1.903.745 22,5%
Chuvas 45.105 32.154 - -100,0%
Total de reúso 15.506.752 15.701.346 15.486.705 -1,4%
% de reúso 20,20% 20,40% 19,91%

Destinação de efluentes (m3)

Destinação 2009 2010 2011
Fonte superficial 52.758.568 52.233.375 54.843.866
Solo 1.050.429 862.317 862.317
Total 53.808.997 53.095.692 55.690.104

Resíduos por tipo e método de disposição

2010 2011
Disposição
Incorporação solo 1,55% 1,67%
Aterro 3,86% 2,28%
Reciclagem 8,80% 12,84%
Incineração 0,01% 0,03%
Compostagem 85,78% 83,18%
Tipo
Classe I (perigosos) 0,20% 0,10%
Classe II (não perigosos) 99,80% 99,90%

Obs: A Companhia está melhorando a gestão dos relatórios de resíduos, visando padronizar o procedimento para todas as unidades e divulgar também o peso dos resíduos.

Biodiversidade

A Companhia iniciou o processo de reconhecimento da totalidade de suas áreas (foco no mapeamento das áreas protegidas, ou adjacentes a elas, e de alto índice de biodiversidade fora das áreas protegidas), buscando identificar qualquer impacto ambiental não mapeado. Devido ao elevado número de unidades fabris e à extensão das áreas, esse mapeamento deve estar completo até 2015. Nesse diagnóstico, também serão propostas ações para mitigação, além de iniciativas já adotadas como decorrência de processos de licenciamentos ambientais.

Os potenciais impactos das operações da Empresa sobre a biodiversidade incluem: contaminação de água e lençol freático; contaminação do solo; e contaminação do ar. A empresa adota rígidos procedimentos ambientais para monitorar e minimizar esses impactos.

Última Atualização em 4 de julho de 2012

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